ENTREVISTA FERNANDO JURUNA

Postado em 21 de setembro de 2020.

Natural de Belo Vale (MG), o extrovertido piloto MXF Motors/Q4 Fernando Juruna nos conta um pouco sobre a sua paixão pelo motociclismo, como tem sido sua rotina de preparação, parceria com a MXF Motors e seus planos para o futuro.

1 – Tudo tem um começo. Nos conte um pouco sobre o seu começo. Como iniciou sua paixão pelo motociclismo?

Desde menino gostava de moto, sempre assistia na tv. Fazia milagres com as bicicletas. Sempre curti esportes, já treinei jiu-jitsu entre outras atividades. Mas quando montei na moto coração bateu mais forte né, doido. Daí a paixão já era. Quando era criança nunca tive muitas oportunidades, mas quando fiquei mais velho apostei nisso e investi no esporte. De lá pra cá paixão só aumentou. 

2 – A maioria dos pilotos iniciantes sonha em ser piloto de motocross. Você também tinha esse sonho? Como descobriu o Enduro?

Sim, tinha sonho de menino de ser piloto e sempre acreditei. Todo mundo que anda de moto sonha. Já fui piloto de motocross. O negócio é acreditar. Vivi minha vida em torno da moto. Até me encontrarem em uma corrida e terem uma visão de acreditar no meu potencial, no caso a equipo Honda Motofield. Sempre deu meu máximo. Ir para o Enduro foi algo natural, tanto que estou firme até hoje. 

3 – Você tem conquistado títulos importantes nos últimos anos, como o Brasileiro e Mineiro de Enduro F.I.M. O que acha que fez certo para chegar nesses títulos?

Realmente esses últimos anos conquistei bastante coisa. Principalmente em 2019 que ganhei praticamente tudo que disputei. Fui campeão da FX Brasil, disputei o GP 6 horas. Ganhei a tríplice coroa de melhor piloto por ter conquistado o campeonato brasileiro, campeonato mineiro e a Copa Minas, os três maiores campeonatos do Brasil. Tudo isso foi fruto de muita dedicação e um sonho de menino, que era ser campeão brasileiro. Vim de uma família muito simples e muita gente não acreditava. Mas isso me motivou ainda mais.  Nunca deixei de me dedicar, treinei certo, acordei cedo para treinar, me alimentei bem e sempre mantive a cabeça muito focada. Você não pode esperar glória de ninguém. Você tem que fazer sua própria gloria. 

4 – Você chegou ao MXF Enduro Team com excelentes credenciais. Qual foi a primeira impressão que teve da marca e da equipe de Enduro agora que faz parte dela?

Em 2018 enfrentei a MXF, porque andava na mesma categoria do Vitor Garcia e do Caxopa. Nesse ano foi a categoria mais disputada de todas as baterias. Nem a GP era tão disputada. Nos eventos e com a ajuda do esporte conheci o diretor técnico da equipe, Luiz Henrique. Fizemos uma amizade muito grande. Fui campeão brasileiro em 2019 e isso com certeza chamou atenção. Fui convidado a entrar na equipe. Já admirava as motos, já via que as motos estavam na categoria nacional andando forte. As motos são lindas e com potencial muito grande. Abracei a oportunidade. Hoje represento a equipe Q4 /MXF e estou muito feliz com a estrutura que estou recebendo. A equipe MXF é uma família. 

5 – Ano passado você foi campeão andando na categoria nacional. Como foi a adaptação com a 250RX? Quais diferenças sentiu na moto durante os treinos de preparação?

Ganhei o brasileiro com a CRF 230F. Muitos diziam que eu estranharia bastante a moto. Mas na prática foi diferente. Por eu ser alto, achava a 230 muito baixa para mim, vivia pegando nas canaletas. A 250RX é uma moto mais alta, com a ciclística melhor pra mim. Senti mais conforto. A suspensão por ser câmara dupla e ter mais fluxo de óleo tive bem mais confiança em poder atacar. Já cheguei metendo tempo. Nos primeiros treinos já virei os mesmos tempos que virava na nacional há anos. Estou evoluindo muito a cada dia e cada vez mais confortável. Treinando muito. Estou encantado com a moto. Confio na marca, confio no meu trabalho para poder atacar bem e ter resultados incríveis, como a abertura da temporada do mineiro e da copa minas, disputada na minha cidade natal, onde consegui conquistar o título na minha categoria, além de ganhar a GP, disputando contra pilotos consagrados de grandes marcas.

6 – A pandemia obrigou as federações a cancelarem e adiarem os eventos. Agora estão sendo remarcados em locais inéditos, com pistas e terrenos desconhecidos. Acha que esse fator pode nivelar ainda mais as disputas?

A pandemia chegou em 2020 atrapalhando todos os esportes. Aqui chegou com força adiando muitas provas. Ano complicado para os pilotos, empresas e fábricas. Não tem o que fazer, mas os treinos não param. Mas tem uma parte boa, que foi a oportunidade de muitos pilotos se recuperarem de lesões e aprimorar bastante a pilotagem nos treinos. Creio que vai nivelar bastante e quando voltarem as provas todos vão estar com sede de moto, com saudades das competições, com muitos pilotos, categorias cheias e muito disputadas para podermos ver os melhores do Brasil em ação. 

7 – Como piloto de Enduro qual o seu sonho? Existe alguma prova que gostaria de disputar?

Eu quando criança e como piloto de Enduro F.I.M tinha o sonho de ser campeão brasileiro. Mesmo com essa conquista o sonho não para, só vai aumentando cada dia mais um degrau. Meu sonho agora é disputar o Six Days (ISDE), enduro mais difícil do mundo. Tenho muita vontade de pegar uma marca e levar para fora do Brasil para mostrar que com dedicação temos o potencial de andar no mesmo nível dos gringos. Sabemos que é difícil e complicado pela situação financeira do país. Sempre sonhamos com uma estrutura ideal para isso, mas sonhamos. Nunca vou desistir, não importa quando aconteça. Tenho muita fé e sempre vou me dedicar ao máximo para poder representar a marca e o Brasil. Quem sabe um dia estarei lado a lado dos melhores do mundo. 

8 – Pretende um dia migrar para outra modalidade como o Rally? Ou ainda se imagina no enduro por um longo tempo?

Eu era piloto do motocross, entrei para o enduro, me adaptei. No motocross também ganhei muitos títulos. Mas se um dia tiver que ir planilhar para ir para um Rally, boa vontade não falta. Eu amo moto, minha paixão é andar sobre duas rodas, independente da modalidade. Toda modalidade leva tempo de adaptação, mas eu não tenho preguiça. Estar em cima da moto é meu sonho. Andaria em qualquer modalidade, do Hard ao Rally, só precisaria de um tempo para adaptar, mas andaria onde me levarem em cima da moto. Esse é meu sonho de menino, andar, ser piloto e dar meu melhor sempre. Representar minha equipe e as pessoas que estão comigo sempre. 

Foto: Campeonato Brasileiro de Enduro FIM 2020 – Beto Carrero.

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