Entrevista com João Henrique Montani – Dirt Action

Postado em 26 de abril de 2022.

Em primeiro lugar gostaria que você fizesse um resumo da história da marca.

“A MXF nasceu em 2008 com o intuito de trazer mais opções para o comércio de motos no Brasil. Nós começamos com minimotos. Na época era algo novo e ainda inexplorado por aqui. Então, fomos a terceira empresa a focar em minimotos e miniquadriciclos, o que nos garantiu uma certa vantagem e especialização. Ao longo dos anos, com o trabalho desenvolvido, percebemos que o negócio foi crescendo, juntamente com o mercado, tanto que hoje nós continuamos com motos de 49 cilindradas e expandimos para os veículos de 300. Nós sempre acreditamos na marca, em peças de reposição e nas constantes melhorias. Quem nos acompanha desde o lançamento sabe bem que o nosso propósito é sempre estar se aperfeiçoando no segmento.”

Trabalhar em um mercado tão inconstante como o brasileiro não é uma tarefa fácil. Como tem sido esses anos atuando no mercado off-road nacional?

Empreender no Brasil é sempre um enorme desafio. Mudanças de regras das três esferas do Poder quase o tempo todo, carga tributária pesada e burocracia são fatos que atingem todas as empresas, independentemente do tamanho ou setor. Mas nós não podemos ficar focados nas dificuldades, porque, se assim for, não faremos nada, certo? Então, eu acredito que uma das nossas chaves de sucesso é o famoso “pé no chão”. Nós começamos muito pequenos. Sempre, claro, imaginávamos grandes coisas, afinal, é sonhando que temos a oportunidade de descobrir o quanto podemos caminhar e traçar metas, definindo onde e como queremos chegar. Por conta das diversas crises pelas quais atravessamos, juntamente com o Brasil e com o mundo, principalmente esta última que ainda perdura, relacionada à pandemia da Covid-19, são muitos os desafios e obstáculos que todos os negócios enfrentam e conosco isso não é diferente. Contudo, eu acredito muito no trabalho e na força do capital humano, o bem mais precioso que uma empresa pode ter, porque é ele quem move as principais ações e, consequentemente, as conquistas. A MXF nunca precisou se preocupar com rodas de conversa de cunho político, falando de crise ou se envolver em energias negativas. Nós sempre exercemos nossa função com o pensamento positivo de melhorar os nossos produtos, serviços e atendimento de forma geral, ser parceiro dos nossos parceiros. Como já nos ensinou um dos mais destacados empresários de marketing digital do mundo, Neil Patel, “quando o cliente está satisfeito com um produto ou serviço, bem como, com o atendimento de uma marca, ele compra mais e com maior frequência. O que por sua vez resulta em um aumento significativo nas vendas e no faturamento de uma organização”.

Além das dificuldades da economia nacional, nos últimos dois anos tivemos que enfrentar a pandemia, como tem sido trabalhar com este outro grande desafio?

No começo, em março de 2019, assim como todos, ficamos bem assustados com a pandemia e com o que estaria por vir. Porém, como tudo tem um lado positivo e o ser humano tem uma infinita capacidade de adaptação e revolução, principalmente nas situações adversas, foi uma grata surpresa para a área de lazer e off-road a alavancagem do segmento. As pessoas passaram a buscar mais passeios e esportes de contato com a natureza, sem aglomeração, e as motos se encaixaram como uma luva nessa tendência. Por outro lado, a MXF não mediu esforços para se adaptar ao novo cenário, sempre respeitando os protocolos de distanciamento social e as medidas de segurança para não disseminar o vírus. O resultado foi que, com esforço, resiliência e determinação, conseguimos fazer de um cenário adverso um ambiente favorável para expandirmos a nossa atuação. Então, para nós, estes últimos dois anos, de pandemia, foram bem desafiadores, mas muito vantajosos, porque tivemos que aumentar a produção dos nossos produtos, principalmente motocicletas e quadriciclos, e por conta das restrições, tivemos dificuldade em manter e repor estoque de peças – o que foi, inclusive, o nosso maior obstáculo.

Atualmente a empresa comercializa quantas linhas de motocicletas?

Nós temos oito linhas de motos atuais, partindo de 49 cilindradas até 300. Então, a MXF consegue acompanhar a vida toda de um amante do off-road. Porém, a empresa sempre foi muito mais que motocicletas: nós temos uma linha completa de quadriciclos 4×2, de 49 a 200 cilindradas. Agora, estamos entrando forte com a linha 4×4, focada no setor agrícola. E no segmento náutico, teremos os UTVs, que são carros 4×4 de 320 a 600 cilindradas. É um mercado muito grande e a nossa perspectiva é ter vários lançamentos no mercado brasileiro.

Foto: Patrícia Stedile

 

Quantos lojistas representantes da marca vocês possuem no território nacional?

Hoje nós temos um time de 120 revendedores, que são pessoas importantes em nossas vidas, unindo forças para atender, com excelência, nossos clientes.

Vocês lançaram recentemente o modelo 300 RXS. Como tem sido a aceitação da motocicleta no mercado nacional?

Nós poderíamos falar que a aceitação tem nos surpreendido, porém, isso não espanta, porque esse modelo é uma evolução da RX. Nele, nós melhoramos a parte de suspensão e ciclística, além de outros componentes. Então, de fato, sabíamos que a moto estava chegando em um ponto de maturidade muito importante e precisávamos desse aperfeiçoamento. E quando esse ponto chegou, percebemos, com o produto final, que a 300 RXS é uma moto muito boa, que não fica devendo absolutamente em nada a nenhuma outra motocicleta. Dentro do que nos propomos a oferecer desde o início, é um equipamento que está fazendo muito bonito no mercado e as respostas que temos, tanto das revendas quanto dos usuários finais, têm sido extremamente positivas, o que demonstra o resultado de um trabalho de alguns anos de inovação e desenvolvimento até conseguirmos chegar a esse ponto atual da RXS.

A marca comercializa motocicletas de 2T e 4T. Que modelos são mais vendidos atualmente?

Atualmente, nossa motocicleta mais vendida é a 250TS, dois tempos. De forma geral, hoje, no mercado off-road, na MXF e em outras marcas também, a média de vendas é de 70×30 ou de 60×40 para motocicletas 2T e 4T, respectivamente. Isso significa que, no mercado brasileiro, a motocicleta dois tempos está com maior apelo de vendas, embora na MXF os equipamentos dois tempos estejam sim na frente, todavia, a balança não é tão desproporcional assim.

Vocês estão presentes nas competições, contando com o campeão brasileiro de Enduro, Patrik Capila, no time MXF. Como é trabalhar com este jovem atleta?

Nós estamos presentes em várias competições, com foco para a “Enduro FIM” desde 2017, quando começamos de forma despretensiosa, para mostrar que acreditávamos nas nossas motocicletas e estávamos dispostos a colocá-las em provas importantes. Para nossa grata surpresa, nos três primeiros anos, não tivemos nenhuma quebra de motor ou avaria. Concorremos, até então, com o motor RX e neste ano será com o novo modelo RXS. O legal de tudo isso é que: o que nós queríamos provar, nós provamos, em primeiro lugar; e, em segundo, veio o gosto pela competição, que nos auxilia muito a entender os nossos produtos e a desenvolver melhores soluções. Então, hoje, podemos dizer com total certeza que competir é um braço muito importante na MXF, tanto que em 2021 investimos em um caminhão próprio motorhome somente para a estrutura de Enduro FIM, ofertando tranquilidade e segurança para os pilotos só pensarem na prova. O Patrik Capila, campeão brasileiro da EJ, foi destaque ano passado. E temos dois novos pilotos: Felipe Legarrea, que ficou em segundo lugar na E4 e este ano brigará novamente pelo título, e Jean Zandonadi, a grande novidade da equipe. Trata-se de um menino de 17 anos, do Espírito Santo, que é uma baita revelação – e por isso estamos investindo nele desde a base – e que vai correr pela EJ. E eu tenho certeza de que veremos, em breve, esse jovem fazendo bonito pelo nome do Brasil, aqui dentro e lá fora. É um prazer, para nós da MXF, podermos contribuir e ajudar no que for preciso esse piloto com tanto talento.

 

Foto: Brumel Neto

 

Para a nova temporada existe a intenção dos pilotos participarem de provas internacionais, como aconteceu no ano passado, com a presença de Patrik no Six Days?

Ano passado, quando o Patrik foi para o Six Days Enduro, foi devido à sua posição no ano de 2020, quando ele não era MXF. Nós não tínhamos o plano de levá-lo à Itália, porém fizemos todo o esforço, uma vez que os gastos são grandes, e firmamos uma parceria com a marca italiana Beta para cederem uma moto para ele. Mas, todo o empenho valeu a pena, porque vierem resultados muito bacanas. Isso sem contar que foi muito importante ter a possibilidade de auxiliar o Patrik a estar lá, levando o nome do Brasil e da MXF a um torneio dessa magnitude. Em 2019, nós fomos para o Mundial, e o piloto Vitor Borges fez a prova com uma MXF, que nós mandamos para a Itália… Teve um trabalho de homologação da motocicleta, no Enduro, bem complicado, realizado com muitos meses de antecedência, então, hoje, a MXF já contou com dois pilotos, da nossa equipe própria, sendo um deles competindo com a própria motocicleta – a RX 250 2019. Isso é um fato que estará no Museu da MXF com bastante orgulho, satisfação e destaque.

Como a empresa enxerga os campeonatos nacional e estadual de Enduro? Eles precisam de mudanças ou atendem às necessidades do esporte?

A MXF é uma empresa que traz os produtos para o mercado, mas se preocupa com o esporte. É do DNA dela. Enxergamos os campeonatos como laboratório, como a porta de entrada para a pesquisa, desenvolvimento e entendimento dos nossos produtos. Muitas soluções que dali saem, dos colaboradores, das equipes, dos minipilotos, aplicamos nos produtos. Os campeonatos são fundamentais para a empresa. Ao mesmo tempo, a empresa precisa apoiar esses eventos também, apoiar o País e o esporte como um todo. É quase um trabalho social da empresa.

Além das motocicletas, vocês atuam em outros setores e trabalham com outros produtos, como os óculos Gaia e a bateria Motobatt. Pretendem ampliar para outros produtos?

Nós temos a marca Gaia, que fabrica óculos de proteção para os esportes off-road e que tem a mesma filosofia da MXF – entregar o melhor produto dentro de um custo acessível aos nossos clientes e amantes do off-road. A ideia é sempre trazer novos produtos e soluções, sem perder o nosso foco principal – acho que pela paixão do motor – que é a MXF. Em relação à Motobatt, é uma empresa completamente à parte da MXF, caminhando por si só e tendo produtos com excelente visibilidade, distribuídos em mais de 80 países; e aqui, no Brasil, nós a representamos com exclusividade, com direito a uma distribuição própria nas principais cidades, em lojas premium. Não podemos falar muito a respeito do que virá por aí na MXF, embora dê vontade, mas eu posso garantir que nossos clientes podem sempre esperar o nosso melhor, para o público de 4 a 60 anos de idade.

Foto: Tatta Mello

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